sábado, 5 de fevereiro de 2011

Conseguimos o Capitulo 1 De Twin Blades

Prólogo
Era incrível que tivessem chegado ali. Não havia
palavras capazes de expressar a grandeza em terem
atingido aquele local, daquela maneira. Mas os dois
irmãos ali estavam. Em sua frente, ninguém menos que
as três Nornas, guardiãs de todos os acontecimentos.
“Os gêmeos perfeitos”, disse carinhosamente Verdandi, a
que se apresentava sob a figura de uma tenra mãe,
guardiã do presente e da continuidade das coisas.
Ambos sorriram e aproximaram-se. Ajoelharam-se,
enquanto ela segurou carinhosamente suas mãos. “Podem
pedir para qualquer uma de nós para ver o que desejarem sobre o
passado, o presente ou o futuro. Este é o prêmio por terem
alcançado nosso lar”.
O primeiro então olhou para a bela virgem, Skuld,
que o observava com interesse desde que chegara.
“Desejo ver o meu futuro, até o momento de minha morte”, falou
ele, determinado. E assim foi feito. Skuld mostrou para
os irmãos como seria a vida do primeiro, até sua morte.
E, ao final, este estava em lágrimas. O segundo, notando a tristeza do irmão, virou-se para Urd, a idosa que
guardava o passado. Pediu a ela para que mostrasse
como tinha sido sua vida, já que tinha passado sua
existência longe de seu irmão. E a Norna mostrou a eles
a vida do segundo.
Ao fim de sua visita, as Nornas beijaram suas frontes
com carinho. Disseram-lhes que o principal não era
saber como seriam suas vidas ou como elas iriam acabar,
mas viver isso. O final de todos, sem exceção, era a
morte.
E enquanto os dois caminhavam para ir embora, o
primeiro deixou um pensamento escapar em voz alta:
“Você tem uma bela vida, irmão. Eu o invejo.”. O segundo
então sorriu. Sem pensar, sacou a adaga que tinha na
bainha que ele mesmo tinha feito da cintura. Ajoelhouse e ofereceu-a ao primeiro, com a cabeça baixa.
“Se gostou tanto dela, eu a ofereço para ti.”, disse o
segundo. “Minha vida é sua.”, completou.
E, naquele dia, apenas um deles voltou para a cidade.Capítulo 1
- Aqui está, meu bom homem.
O capitão estava estupefato. Do convés de seu navio
tinha observado, há alguns minutos, uma fumaça cinza
descomunal se espalhar do topo da Torre Sem Fim.
Aquele era o sinal pelo qual aguardava há tanto tempo.
Sabia que as almas de seus companheiros agora estavam
livres e que a ameaça de Nacht Sieger tinha sido contida.
E mal conseguia olhar aquela belíssima espada de duas
mãos que o Arquimago louro na sua frente oferecia.
- Esta espada... - disse ele, quase gaguejando - ... esta
espada é a...
- Terror Violeta. - interrompeu o Arquimago, com o
semblante inabalado - É uma das espadas mais raras que
se tem notícia. Pegue.
Sob o sorriso do grupo que acompanhava o
Arquimago, o homem pegou a espada. A lâmina,
vermelha e azul, era única. Nenhuma outra espada do
mundo era daquele jeito. O capitão olhou novamente
para o Arquimago.- Senhor Belmont, eu não sei o que lhe dizer. Pedi
sua ajuda para libertar as almas de meus homens que
ficaram aprisionadas na torre. E o senhor não apenas
subiu e venceu os cento e um andares dela, como agora
me entrega o artefato mais raro que pode ser
conseguido neles!
- Essa espada vai servir para cobrir todos os gastos
da sua expedição e abrandar um pouco a perda das
famílias dos que se foram. Envie meus pêsames para os
familiares e diga-lhes que suas almas agora estão livres.
O Arquimago foi então até a borda do navio e olhou
para a terra firme, ao longe. Virou-se então para o
capitão.
- E pode me chamar de Leo. - disse, ajeitando os
pequenos óculos sem hastes que usava.
Voltou a ficar olhando o oceano. Seu cabelo louro,
preso em uma trança comprida, esvoaçava suavemente.
De braços cruzados, mal notou quando o par de mãos
femininas removeu sua capa, em seguida, entrelaçandose em sua cintura.
- São poucos os grupos que chegam até o
septuagésimo andar, querido. Raros foram até o
centésimo e puderam conhecer o guardião Knothen. E
você é o primeiro a superar o desafio da Torre.
- Normal.
- Não, Leo! - com um sorriso, a mulher, uma bela
elfa de cabelos azuis, virou o Arquimago para ficar de
frente com ela. Sua aparência jovial contrastava com
aquele senhor com mais de 70 anos - Não é “normal”!
É um grande feito!
- Não tem nada de especial em subir uma torre com
todos os monstros já existentes e catalogados, os quais
toda pessoa já sabe como matar de maneira eficiente.A mulher riu. Ia continuar, mas notou que o Lorde
do grupo tinha se aproximado. Seu longo cabelo ruivo,
preso na ponta por um elástico, estava bagunçado.
- Diga, Leonheart. - o Arquimago apoiou as mãos na
cintura da elfa e virou o olhar para o recém-chegado.
- É que a gente tava conversando ali sobre os itens. -
o Lorde apontou para o grupo que ia tirando coisas de
um carrinho de puxar, enquanto um elfo forte, com
uma lupa e um conjunto de equipamentos, ia
identificando cada uma das coisas.
- O que tem?
- Sobre um dos itens, eu acho muito que é um Anel
da Ressonância. Eu queria saber se...
- Pode ficar com ele. - interrompendo, Leonard
soltou a mulher e voltou a observar o mar. A
embarcação começava a partir para Alberta, que era
visível ao longe como uma pequena e escura faixa de
terra, bem na ponta leste do continente.
- Mas esse anel é muito caro e talvez o grupo ache
que...
- Leon. - o arquimago novamente o interrompeu - Já
devia saber que meus grupos são feitos de gente bem
sucedida. Ninguém vai ficar chorando por um item raro
que será útil a um de nossos amigos. Pode ficar com ele.
Se alguém quiser sua parte, peça para Essny avaliar o
preço e eu pago em seu lugar. Está bem assim?
- Pô, patrão, tá ótimo! Obrigado!
O Lorde se afastou. Leonard voltou seu olhar para
Alberta. Algumas andorinhas acompanhavam o balançar
do navio. A mulher voltou a abraçar Leonard, dessa vez
ela por trás dele.
- E o que faremos agora, querido?
- Vamos para Geffen. Vou conversar com ela sobre
sua missão.- E você acha que ela vai engolir? Ela não está perto
demais de descobrir a verdade?
- Está. Mas meu plano não tem falhas.
- Aqui está bom. Preciso que esperem aqui agora.
Freya sorriu e se afastou do pequeno grupo - um
Sumo Sacerdote, um Paladino e um Bruxo. Foi na
direção de uma estátua de um homem abandonada
naquele canto da longínqua e esquecida Geffenia.
- Que estátua é essa? - perguntou o Bruxo, olhando
curioso a Lady depositar a espada no chão com cuidado
e se ajoelhar com as mãos fechadas, como se estivesse
orando.
- De onde você vem que não conhece a história
desse homem, Bruxo? - disse o Sumo Sacerdote - De
Veins?
- De fato, sou de Veins. Não conheço muito sobre
Rune-Midgard.
O Sumo sorriu e sentou-se. O Paladino desceu de
sua montaria - uma ave enorme de uma raça chamada
“PecoPeco”, a qual usava armadura de combate, com as
belas penas coloridas em sua cauda em destaque - e
colocou a mão no ombro do Bruxo. Olhou para a
garota rezando na estátua.
- Não é uma estátua. - disse ele - É um homem
morto. Aquele é Leafar Belmont, filho de Leonard e
Margareth. Foi um dos maiores heróis do reino de
Rune-Midgard.
- Era o líder da Ordem do Dragão - completou o
Sumo Sacerdote, enquanto estalava o pescoço, cansado
pela jornada no reino subterrâneo - e foi o general de maior confiança do Rei Tristan III. E morreu um pouco
depois do próprio Rei.
- Leonard estava com ele. - o Paladino voltou a falar
- Foram pegos em uma emboscada aqui, neste exato
local. Morreu com uma adaga nas costas, sob os olhos
do pai.
O Bruxo ficou olhando a estátua. Reparou no cabelo
louro já esbranquiçado. A armadura de Lorde que
Leafar usava ainda tinha manchas de sangue, mais nada
restava de sua capa. O braço direito estava esticado no
alto, como se segurasse algo ou estrangulasse alguém.
De onde estava era impossível ver seu rosto, conservado
pela magia da Petrificação.
- E qual é a da menina com ele? - o Bruxo olhou
curioso para o Paladino, ávido por informações, como
era comum em qualquer estudante de magia.
- Freya é sua filha adotiva. Ele a adotou com nove
anos. Na época, ela era uma pequena Sacerdotisa. Mas
desde que ele morreu, ela abandonou tudo e começou a
se dedicar ao uso da espada de duas mãos, assim como
o pai. E tem buscado levar justiça e paz às pessoas,
assim como ele próprio fazia em vida.
O Bruxo ficou com um olhar de pesar. Freya tinha
apenas quinze anos. Era uma Lady, o posto máximo de
evolução de uma Cavaleira. Os olhos estavam fechados,
mas o Bruxo não tinha deixado de reparar previamente
que eles eram de cores diferentes: um azul, outro
vermelho. Observou-a ali, ora com a cabeça baixa, ora
levantando-a e encarando a estátua nos olhos.
E alheia a eles, Freya conversava com o cadáver de
seu pai. Usava um tom carinhoso, baixinho. Os olhos
bicolores derramavam lágrimas tímidas que morriam no
cantinho do sorriso em sua boca. Mas depois de algum
tempo, sua expressão mudou. Estava perturbada há anos e novamente tocaria em um assunto que a
desagradava.
Enquanto era criança, participava com Leafar de
uma lenda urbana: os dois se disfarçavam, mascarados,
na longínqua cidade de Rachel e agiam como uma dupla
noturna de defensores. Protegiam a maltratada
população da cidade de eventuais abusos das
autoridades ou de estrangeiros ricos que os
escravizavam. Eram conhecidos como “Garra das
Trevas” e “Raven” - nome até hoje utilizado pela dupla
que os substituiu.
E o sono de Freya era perdido por um motivo
simples: Leafar, como Garra das Trevas, usava uma
armadura de Algoz, produto da mais alta tecnologia
roubada das ruínas de Juperos. Essa armadura
reconhecia o DNA do usuário. Apenas Leafar podia
utilizá-la. Freya sabia disso. Nos últimos anos, além de
Diego e Morrigane - o casal Garra das Trevas e Raven
dos dias atuais - havia mais um Garra das Trevas, com a
armadura que fora de Leafar. Não era possível ele estar
vivo; a menina via ali o cadáver em sua frente. Quem era
esse segundo defensor urbano que usava a armadura
roubada?
- Eu não sei quem é ele, senhor Lea. - disse ela
baixinho, olhando séria para a estátua - Mas eu vou
descobrir. O Diego e a Morrigane já protegem a cidade.
E esse outro já foi visto fora de Rachel. O senhor jamais
abandonaria o povo da nossa cidade. Nem se deixaria
ser visto publicamente. Eu vou encontrar esse impostor.
De longe, o Bruxo notou a menina levantar e abraçar
a estátua. Ela então se afastou. Pegou a espada e o elmo
no chão - um capacete com longos e curvos chifres
marrons - e se reaproximou do grupo.- Agradeço-lhes pela escolta nessa missão, senhores.
- Freya sorriu para eles, sem disfarçar as lágrimas ainda
úmidas em suas bochechas - Podemos voltar para
Geffen para que eu lhes dê o restante de seu pagamento.
O Sumo Sacerdote ergueu-se. Pegou da bolsa no
cinto uma gema azul e arremessou-a no chão. No lugar
onde a gema bateu, uma coluna de luz da mesma cor
surgiu.
- Portal para Geffen, senhores e senhorita. - disse
ele, com uma piscada - Boa viagem!
Um a um, entraram na coluna, surgindo, no
momento seguinte, na capital da magia de RuneMidgard. Foram recebidos pela imensa torre no centro
da cidade, que era a base de toda e qualquer magia
aprendida no reino. A Torre de Geffen também era o
selo para o local do qual tinham acabado de vir: a
amaldiçoada e destruída Geffenia, que outrora tinha
sido o glorioso lar dos elfos.
Freya andou até a praça central, cuja fonte era a
entrada para o reino perdido. Sentou-se em um dos
bancos e abriu uma pequena mochila que carregava nas
costas. Retirou algumas pequenas pedras preciosas e
começou a conta-las, fazendo pacotes menores com
elas.
- Aqui está, senhores. Para cada um de vocês há cem
mil zeny em diamantes e esmeraldas. Sou muito grata
por sua ajuda e eventualmente os chamarei para novas
visitas ao túmulo de meu pai.
O Paladino e o Sumo Sacerdote agradeceram e
pegaram suas pedras. O Bruxo titubeou.
- Algum problema? - disse a menina - Acha que é
pouco?- N-não. - disse ele - Mas é que eu não sabia que
estávamos indo visitar seu pai. Sinto-me mal de cobrar
por ajudar uma filha a visitar um túmulo de um parente.
A loura levantou-se. Pegou a mão do Bruxo e
colocou o saquinho com as pedras preciosas em suas
mãos.
- Aprecio sua preocupação, mas não sou digna de
pena e nem faço isso esperando solidariedade. Eu não
conseguiria chegar aonde chegamos em paz e ter
momentos de privacidade com meu pai. Aceite este
pagamento e saiba que o chamarei se no futuro precisar
novamente de escolta.
Sem deixar o homem responder, Freya ajeitou as
trancinhas que usava por cima dos ombros, sorriu para
eles e partiu. Observou a cidade, que era acariciada pela
luz solar. A torre projetava uma grande sombra, onde
Mercadores abriam suas barraquinhas e vendiam
utilidades e equipamentos para os passantes. Cansada e
pensativa, deu uma volta maior, indo pela ala oeste da
cidade. Notou um grupo de Magos saindo da Escola de
Magia, recém-formados. Meneou levemente a cabeça,
desejando-lhes sorte e dando-lhes também um bom dia.
Ganhou uma maçã de um dos Mercadores, a qual
saboreou lentamente até chegar na bela casa, perto da
saída norte do grande muro que rodeava Geffen.
Abriu a porta e notou que ninguém a esperava. A
sala, forrada de móveis caros e belos tapetes, mal era
iluminada por uma fresta de luz vinda da janela. Por
cima da lareira, deu pela falta de um escudo e um cajado
de Margareth. “Ainda não voltaram”, foi o que pensou.
Ouviu então uma melodia vinda dos andares superiores.
Tirou o elmo e deixou-o na poltrona. Passou pelo
corredor acarpetado e subiu a escadaria de madeira, até
o piso superior. Caminhou com cuidado, seguindo a música, até chegar na porta entreaberta do quarto.
Afastou-a com cuidado e viu o garoto sentado de costas
para ela, virado para a janela. Tinha nas mãos uma
guitarra, ligada a uma pequena caixa que amplificava seu
som. Ele dedilhava uma melodia calma, que quase
parecia alguém cantando. Algumas das notas eram
esticadas, prolongando o som. Freya ficou ouvindo,
hipnotizada, sem interromper. Quando ele finalmente
parou, ela entrou de uma vez no quarto.
- Dizem que os elfos são inerentes à arte. Desde
pequenos apreciam pinturas, comidas, construções e
música. Já sei o que você puxou da sua mãe. - disse a
loura com um sorriso carinhoso no rosto.
O menino ruborizou e olhou feliz para Freya. Por
baixo do cabelo verde, os olhos com um tom douradoescuro estavam tímidos. Ele abaixou a cabeça e ajeitou o
cabelo por trás das orelhas pontudas - mais finas que as
de um elfo, como um meio termo entre um humano e
um elfo. Vendo que o pequeno estava com vergonha, a
loura se ajoelhou na frente dele.
- Como se chama essa música? Nunca a ouvi antes! -
disse ela.
- Chama “Por quê?”. Eu que inventei. - disse ele,
baixinho.
- Por que não estou surpresa? Ser meio-elfo
realmente é especial, hein? Quando eu tinha seis anos...
O rosto de Freya ficou sério. Não queria se lembrar
daquilo. Balançou a cabeça negativamente para limpar a
mente e voltou a sorrir.
- Ei, cadê o vovô e a vovó? - Freya ergueu-se e
sentou-se ao lado dele.
- Ainda não chegaram. Mas eu já fiz seu lanche. O
vovô falou que ia sair com você e que você precisava comer bem antes. Tem aquele ovo quente que você
gosta, na casca. Também fiz uma vitamina para você.
Freya tirou a guitarra das mãos dele e encostou-a na
cama. Puxou o menino carinhosamente e deitou-o em
seu colo.
- Você é um amor, Andy. - falou, fazendo carinho
em seu cabelo.
- Eu sei. - disse ele, espontaneamente, fechando os
olhos e descansando com o carinho de Freya e a luz do
sol no quarto.
O anel foi arremessado pelo elfo nos pés de Leon. O
Lorde ficou desesperado e se apressou em pegá-lo.
Olhou feio para Essny.
- Tá maluco, fio? Isso aqui vale uma nota! Não pode
jogar no chão assim!
- Não reclame. Saiu de graça para você.
O ruivo deu de ombros e guardou o artefato. Deu as
costas para partir, mas sentiu a mão forte do MestreFerreiro elfo segurar seu braço.
- Nossa senhora - disse ele - nos convocou.
Precisamos encontrá-la agora.
O Lorde olhou ao redor. Viu que Leonard,
Margareth e a maior parte do grupo já tinha ido embora.
Apenas a Suma Sacerdotisa conversava com outros dois.
Ela, atenta, notou o sinal de Essny e se aproximou.
- Leny, abra o portal que eu preciso. “Aquele”.
Leon coçou a cabeça e franziu o cenho.
- Feroz, me explica uma coisa. - disse ele, de braços
cruzados - Eu não entendo. Uma hora vocês dois são
Christian e Hellenia. Outra hora, Essny e Leny. Não tô
entendendo.- “Christian” e “Hellenia” - disse a elfa - são nossos
nomes humanos, Leonheart. Apenas nossos amigos
ganham o direito de nos chamar pelos nossos nomes
élficos. Então sinta-se feliz por conhecê-los e por
respondermos quando nos chama assim.
- Eu não entendo nada dessas tradições malucas de
vocês. Mas tudo bem, fera. Abre o portal pra gente
então!
Leny murmurou algo no ouvido de Essny, deu-lhe
um beijo rápido nos lábios e arremessou a gema azul no
chão, abrindo o portal. Os dois entraram e, se em um
momento estavam na cidade de Alberta, agora se
encontravam no observatório de Geffen, nos arredores
do portão oeste da cidade. Pássaros os rodeavam e
tinham uma belíssima vista da cidade. Sem perder
tempo, porém, Essny abaixou-se e moveu algumas
pedras no chão, em uma sequencia correta. Um portal
abriu-se. Novamente os dois entraram. Estavam agora
em um salão no céu. Em sua frente, uma passarela de
pedra sem muros. Estátuas de deuses e heróis flutuavam
ao redor. Caminharam por aquele caminho até chegar a
um pedestal. Ajoelharam-se diante da imponente figura
em sua frente: uma belíssima mulher de longos cabelos
brancos, vestida com uma armadura negra. De suas
costas, um par de asas douradas a sustentava
graciosamente no ar. Tinha um escudo em uma mão e
uma lança na outra. E um elmo também negro cobria
seus olhos, deixando apenas seu nariz, boca e queixo de
uma pele clara aparecendo.
- Eu os saúdo, nobres Einherjar. Bem-vindos sejam.
- falou ela, com a voz séria.
- Nós a saudamos, Senhora Hildr. - Essny e Leon
responderam em uníssono.Finalmente os pés dela tocaram o solo. Ela segurou a
lança com a mesma mão do escudo e fez um sinal de
mão. Os dois se levantaram, observando-a.
- Há uma nova missão para vocês, meus enviados
das sombras. E devo lhes advertir que será a mais
delicada que terão que enfrentar.
Os dois assentiram com a cabeça, olhando
determinados. Por baixo de seu elmo, ela encarou os
dois nos olhos, firme, e continuou falando.
- A digna deusa Fricca acredita que duas pessoas
quebraram as regras da vida impostas a elas. E essa
quebra de regra, segundo ela, ofende ao todo-poderoso
Odin. Tal ofensa, se confirmada, deve ser punida com
um combate por suas vidas. Se elas vencerem o
combate, podem continuar vivendo. Se forem
derrotadas, a morte é seu destino certo.
- Diga-nos seus nomes, senhora, e seguiremos suas
ordens.
A Valquíria levou a mão direita até o cinto e pegou
um pergaminho enrolado. Arremessou-o para o elfo.
- Inicialmente vocês vão investigar este homem. -
disse Hildr com o mesmo tom sério - Se o que este
pergaminho diz for verdade e a suspeita de Fricca se
confirmar, vocês deverão matá-lo e a outra pessoa.
- Então pode considerar este homem m... - a voz do
elfo morreu no momento em que ele abriu o
pergaminho. Engoliu seco e olhou para a Valquíria.
- Deve ser algum engano. - ele falou, calmo, mas
com o coração acelerado.
Leon virou a cabeça e notou o nervosismo de Essny.
Olhou para a Valquíria, que estava imóvel, encarando o
elfo. Curioso, foi até o lado do amigo. Pegou o
pergaminho e olhou-o também. Soltou a lança e
começou a tossir de nervoso, engasgando.- Não faz sentido. - Essny olhou a Valquíria nos
olhos - Por favor, senhora. Sou indigno e incapaz de
compreender o desejo dos deuses. Por seu intermédio,
nomeou a mim e alguns outros como protetores
secretos destas pessoas. E agora nos é pedido para que
as eliminemos? É isso que eu entendi?
- Nenhum de nós é digno de questionar ou
contrariar os deuses, Essny Tahlam. Este foi o pedido
de Fricca, autorizado pelo todo-poderoso Odin. Sei que
preza pela vida deste homem, assim como eu. Por isso
que, caso ele vença nós três em combate, o que é quase
impossível, terá a chance de continuar vivo. Caso
contrário, ele e a outra pessoa deverão pagar com a
própria vida.
As mãos do elfo cerraram-se. Encarou com a
expressão inalterada a Valquíria. Por dentro, porém,
queimava com o mais puro ódio. Notou, entretanto, que
a cabeça dela estava levemente baixa; não para não olhar
para eles, mas por desapontamento. Estava também
claramente contra aquela ordem.
- Feroz! - Leon, que finalmente desengasgara, puxou
o elfo pelos braços em sua direção - É isso que a gente
vai ter que fazer? É isso mesmo?
- Sim. Se descobrirmos que o que Fricca alega é
verdade... - Essny respirou fundo e virou a cabeça na
direção da silenciosa Hildr - nós teremos que matar
Leonard Belmont.

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